sábado, 21 de setembro de 2013

Amor & Obsessão

Semana passada devorei dois clássicos da irmãs Brontë. E agora, venho compartilhar com vocês minhas impressões. ;)
Emily Brontë (Imagem Reprodução)

Comecei pela obra de Emily Brontë: "O Morro dos Ventos Uivantes", o livro favorito de muita gente. Inclusive um dos meus!

A história é narrada pelas sensações causadas ao Sr. Lockwood, um inquilino, ao visitar seu senhorio Heathcliff e pelas lembranças de Nelly - Ellen Dean - que foi governanta da casa.
Passada no começo do século XIX,  a narração fala sobre um garoto que foi adotado pelo patriarca da família Earnshaw sem maiores explicações.
Sem origem definida, o menino é chamado de Heathcliff e é criado entre os filhos do Sr. Earnshaw: Hindley e Catherine. O garoto era tratado com desprezo por todos, exceto por Cathy, de quem ficou amigo. Dessa proximidade nasce um intenso sentimento. Heathcliff e Catherine, o casal de anti-heróis mais famoso da literatura, se apaixona de forma surreal. Mas, o orgulho, a ambição e a vingança impedem que vivam o seu amor, o que, não só os atinge, como também, as família Earnshaw e Linton.

Para começar, eu realmente achei que este se trataria de mais um romance daqueles que nos faz suspirar pelo mocinho e que sabemos exatamente como vai terminar. Mero engano. "O Morro dos Ventos Uivantes" é um clássico e é uma obra atemporal. De leitura intrigante e complexa. Sobre uma avassaladora história de amor ou de obsessão doentia recíproca.

Através da magnitude do texto, somos levados a enxergar uma forma de amor humana, não a idealizada nos romances, mas com pessoas reais, seus defeitos, mágoas e cicatrizes. Um retrato do comportamento humano no cotidiano e diante de problemas e dificuldades. Um história agressiva, que mescla amor, ódio, obsessão e inveja. Personagens virtuosas e, ao mesmo tempo, transgressoras. Emoções arrebatadoras e primitivas que, em questão de páginas, nos fazem entender, adorar, odiar e condenar a mesma personagem. Constantemente.

Confesso que achei Heathcliff fascinante e lunático. Humano, belo, bruto, sofrido, magoado, com o coração despedaçado e cego de vingança. Perdi as contas das vezes em que o odiei para, em seguida, me encantar novamente. Sua história e seu caráter são tão bem descritos - beirando ora ao vilão, ora a vítima do meio - que, por mais cruel que ele pareça, torcemos para que seja feliz.
Já Catherine é uma garota mimada, de beleza única, egoísta e mesquinha. Tão grandiosa quanto Heahtcliff, se faz odiosa devido a sua indecisa, mas forte personalidade.
Porém, como diz Cathy, ele são iguais, loucos, apaixonados e obcecados. Um amor que ultrapassa limites de vida e morte.

Por fim, acredito que a grande questão do livro seja: o quão longe somos capazes de chegar para conseguir/defender o que queremos/o que acreditamos ser certo.

Tom Hardy como Heathcliff e Charlotte Riley como Catherine.
(Imagem: Reprodução)
Emily escreveu com uma destreza que nos prende da primeira a última página. Além disso, o livro quebrou os clichês românticos da época, deixando a sociedade inglesa, acostumada com o formato piegas mexicano de romance, chocada.
A escritora utilizou-se de um pseudônimo masculino para poder publicar o texto, que, além de rejeitado pelos ingleses, teve duvidada a autoria, pois, uma mulher não poderia ser capaz de tal realismo.

Enfim, "O Morro dos Ventos Uivantes" é um  leitura ímpar. Digno de muitas releituras.
Acho que já está na hora de eu partir para a segunda!


Beijim, 

Kamila



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