quinta-feira, 30 de maio de 2013

Pré-Estreia Brazuca!

Posso começar o post me achando porque fui convidada para uma pré-estreia? Fiquei vaidosa! Ainda mais porque fui o plus 1! =) (Tudo bem que era porque o plus 1 habitual da pessoa não podia ir, but... who cares?  Estampei!) A primeira pré-estreia a gente nunca esquece! *.*

Bonitinha, mas Ordinária (2008) 
Imagem: Reprodução

Diretor: Moacyr Góes
Com: João Miguel, Leandra Leal, Letícia Colin, Gracindo Junior, Leon Góes. 

A história é bem conhecida. Edgard (João Miguel) trabalha na empresa do Dr. Werneck (Gracindo Junior) e, tem uma queda por Ritinha (Leandra Leal), sua vizinha, uma mulher simples que trabalha como professora para sustentar sua mãe e suas três irmãs. Até que um dia, Peixoto (Leon Góes), genro do Dr. Werneck, lhe propõe que se case com a filha do patrão, Maria Cecília (Letícia Colin). Maria Cecília sofreu "um acidente": foi currada e precisa de um noivo, mesmo que de conveniência. Edgar hesita, mas aceita a proposta. A partir de então surgem os conflitos: Maria Cecília ou Ritinha? Dinheiro fácil ou amor?

A versão de 2008 somente agora chega aos cinemas. Nelson Rodrigues é um risco que os cineastas adoram assumir. E o novo destemido é Moacyr Góes. Esta é a terceira vez que o texto é adaptado para o cinema. A primeira foi filmada em 1963 por Billy Davis, com Jece Valadão, Odete Lara e Lia Rossi nos papéis principais. A segunda, e mais conhecida, é de 1980, dirigida por Braz Chediak, protagonizada por Lucélia Santos, José Wilker e Vera Fischer.

Nesta nova versão, a história foi transportada para o tempo presente. Apesar do cenário atualizado, o texto original quase não sofreu alterações. Na época em que foi montada a peça, 1952, fazia mais sentido um pai desesperado para casar a filha que não é mais virgem. Hoje, este detalhe soa um tanto forçado. Há um estranhamento: a premissa do filme se sustentaria?

Entretanto, com o desenrolar do filme, a trama fica mais atraente. Uma crítica de valores que trata da decadência da classe média vem a tona, assunto marcante na obra rodriguiana. A obra gira em torno do preço ética, da prepotência dos que detêm o poder. E, é sempre uma delícia saborear a acidez de Nelson Rodrigues. 

O elenco está afinadíssimo, as interpretações são eficientes e coesas. Também, não se esperaria menos de João Miguel, Leandra Leal e Grancindo Junior. A surpresa fica por conta da atuação de Leon Góes, o pivô da trama, o canalha ~humanista~. Já Letícia Colin foi ousada e intensa, entretanto, os trejeitos da ~pura~ personagem soaram artificiais, a ponto de, eu, que não conhecia a história, questionar se ela tinha (ficado com) alguma sequela! dããã

Mesmo assim, o conjunto de atores compensa alguns deslizes como os flashbacks da curra que destroem o impacto do desfecho final e o desnecessário bacanal trash do Dr. Werneck. Além do mantra "O mineiro só é solidário no câncer.", que não cria uma conexão com os dramas de Edgard e soa quase aleatória. 

A peça já está na minha lista de leitura, entretanto, dizem que ela tem personagens eloquentes e muitas reviravoltas morais. Pouco disso se vê na versão de Goés. Mas, talvez, a relevância da obra atual seja fazer com que esse clássico nacional seja conhecido pelas novas gerações. 

Enfim, é aceitável.

Beijim,

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Beijim,

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