domingo, 3 de fevereiro de 2013

Apenas... Barbara!

Tenho uma quedinha pela Alemanha, fato. E, desde que eu li a sinopse, eu quis assistir:

Imagem: reprodução
Barbara (Barbara -2012)
Diretor: Christian Petzold
Com: Nina Hoss, Ronald Zehrfeld, Jasna Fritzi Bauer, Mark Waschke, Jannik Schümann.

Verão de 1980. Alemanha dividida. Barbara (Nina Hoss) é uma cirurgiã pediátrica berlinense. Após ter o pedido de visto negado, tem como punição por ter tentado sair do lado oriental do país, a transferência para uma clínica no interior, em um vilarejo isolado. Enquanto, seu amante/namorado prepara sua fuga, Barbara desperta a simpatia do chefe do hospital, André (Ronald Zehrfeld). Um amigo ou mais um espião?

Um drama sóbrio, que retrata o lado comunista do país, nove anos antes da queda do Muro de Berlim.

Não somos devidamente apresentados à apática Barbara. Aliás. se não tivesse lido a sinopse, teria ficado perdida e, talvez, até mesmo, não conseguisse gostar do filme. 

O filme vai se desvendando aos poucos, de forma tranquila. São poucas as referências históricas, apesar de se tratar de uma das mais importantes passagens da história européia. Não existem discussões acerca do tema, mas sim, da protagonista, por isso, muita coisa fica subentendida. 

O semblante da médica estampa o clima opressor no qual vive, as contantes revistas, inspeções, a sensação de ser vigiada o tempo todo. Mas, será que isso é suficiente para que ela desista de deixar aquele lugar? Difícil dizer, pois, Barbara guarda segredos de todos, inclusive de nós, público. Faltam-nos tantas peças quanto aos personagens, não se pode confiar em ninguém. 

Um filme inteligente e perverso, plano, cronológico, que mesmo sem cenas arrebatadoras, ou até mesmo, um clímax, não perde o ritmo. O diretor trabalha conosco, platéia, a sugestão: insinua continuamente imagens, sem nos mostrar nada, apela para o nosso imaginário a respeito da Guerra Fria, indica a vigilância permanente, uma vida tensa e alarmada. O silêncio surpreendente e o suspense latente faz com que alguns o adorem (eu! eu! chama eu!) e outros detestem.

Elenco carismático e competente. Diretor que sabe o que está fazendo. Personagens melancólicos em um universo acizentado. Roteiro, escrito pelo também diretor Petzold, traz diálogos rápidos que, pouco a pouco, nos prendem, deixando a trama mais instigante. Nina Hoss, como personagem-título, tem uma energia fascinante, sua instropectiva e silenciosa Barbara, dona de uma aridez pertencente apenas aos escaldados, nos faz torcer por ela, mesmo sem termos ideia do segredo que guarda.  

Ninguém é vilão. Ninguém é mocinho. O mistério sobre a amizade entre Barbara e André, nos deixam, a cada cena, mais interessados. André é fabuloso, dá ritmo, cor e até um comedido humor, tirando a monotonia do enredo.

Sem falar das paisagens alemãs... Campos floridos, construções rústicas... A fotografia é maravilhosa. Caí de amores!

De acordo com o próprio Petzold, o roteiro, bem pontuado, foi inspirado por dois livros: "Barbara" de Herman Broch e "Rummerplatz" de Werner Brauning. Além da delícia - que eu, particularmente, acho - em ouvir o idioma alemão, o diretor conseguiu criar uma história envolvente que, apesar da consternação, nunca deixa de apostar na esperança.

Uma curiosidade: "Barbara" vem do grego e significa estrangeira, forasteira ou estranha. Coincidência com o enredo do filme?

Incômodo! Magnífico! Sai totalmente encantada e deslumbrada do cinema! Se você gosta de drama... se jogue!

E vocês? Gostam de drama? E cinema alemão?

Beijim,

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Obrigada pela visita, fiquem a vontade para comentar e sugerir!
e-mail: sereiasafogadas@gmail.com
twitter: @kmioliveira

Beijim,

kmi